Quénia: Colocar mais mulheres em cargos de tomada de decisão

"As mulheres imprimirão uma liderança transformadora, pois, têm vindo a servi-los, servem às suas famílias, comunidades e a todos, por conseguinte, se as elegerem elas servi-los-ão, devem eleger aquelas que são as servidoras, pois elas não vão ser vossos mestres, mas sim vossos servos." disse a Sra. Phoebe Asiyo, convidada especial, quando se dirigia ao público durante uma reunião em Kisumu.

Isto foi na sequência de uma marcha cujo objetivo era apoiar candidatos políticos femininos nos distritos de Kisumu e Migori. O seu sentimento foi compartilhado pela Sra. Betty Akero da Rede de Organizações da Sociedade Civil, que comungava da sua convicção de que as mulheres podem ser grandes líderes. Ela apelou a todas as mulheres no sentido de trabalharem juntas na prossecução deste objectivo. "Estamos prontas para trabalhar com todas as mulheres, independentemente da sua filiação político-partidária ou do cargo para o qual estão a concorrer.

O evento foi planificado pelas mulheres aspirantes a cargos políticos com o apoio da ACORD, da Rede de Organizações da Sociedade Civil, das Mulheres no Programa da Indústria de Pesca (WIFIP) e com o apoio financeiro do proghrama ONU-Mulheres.

A procissão, que contou com uma grande multidão de mais de 800 pessoas e reuniu um total de 37 candidatos políticos femininos concorrendo para diferents cargos através de diferentes partidos dos distritos de Migori e Kisumu com vista a promover a representação das mulheres e demonstrar que estas podem trabalhar em conjunto por uma causa comum, não obstante as suas diferenças em termos dos partidos políticos que estavam a representar. O seu objetivo era declarar publicamente as suas aspirações políticas. Numa demonstração de coragem e autoconfiança impressionantes, as diferentes mulheres levantaram-se para apresentarem e anunciar os seus manifestos.

Mensagem da Sra. Phoebe Asiyo

Dirigindo-sa às candidatas políticas, a Sra. Asiyo lembrou-as dos momentos difíceis que estavam por vir. "Quero dizer-vos que vai ser muito difícil e por vezes até violento", disse ela.

Sra. Phoebe Asiyo fala para um grupo de mulheres durante
a campanha

Ainda assim, incentivou-as a não desistirem, tendo em conta o facto de que os ganhos obtidos na Constituição proporcionam às mulheres a oportunidade de concorrerem para cargos de liderança, em especial, para cargos electivos. Em seguida, estabeleceu uma analogia entre a nova Constituição e o despertar de um gigante que tinha sido deixado para trás há muitos anos. Foi trazida à atenção do público a mensagem de que agora as coisas não seriam como antes. A mudança era inevitável; a política já não seria mais uma arena dominada pelos homens. Mais importante ainda, a Constituição proporciona protecção às mulheres, aos jovens e a outros grupos marginalizados contra qualquer forma de discriminação e violência.

"Aprender dos homens à medida que eles aprendem de vós"

A sra. Asiyo lançou um apelo especial às mulheres aspirantes a cargos electivos, aconselhando-as a não lutar com os homens. "São vossos compatriotas, maridos, pais, irmãos e, acima de tudo, têm muito a aprender com eles, tal como eles têm muito a aprender convosco." Também exortou as mulheres a encararem os homens como pessoas que podem complementar as suas aspirações, e não como inimigos. Dissipou o estereótipo de que as ‘mulheres são as suas próprias inimigas' e asseverou que homens com más intenções amiúde usavam algumas mulheres fáceis de manipular para lutarem contra as suas próprias congéneres. Neste contexto, apelou às mulheres para continuarem a trabalhar em conjunto e não aceitar serem usadas por qualquer pessoa para combaterem as suas próprias companheiras.

Felicitou a equipa que trabalhou incansavelmente para que a nova Constituição fosse aprovada, um longo percuro que levou mais de duas décadas; enfatizou o elevado preço que teve de se pagar para se ter a presente Constituição, para se traçar um novo rumo ao novo ordenamento. Incentivou o público a dizer ‘Não' aos males sociais que mantêm a maioria dos quenianos na pobreza, sujeitando-os a uma liderança deficiente e, consequentemente, à grande corrupção em florescimento, à intimidação e até mesmo a assassinatos.

Insistindo que era responsabilidade de todos assegurar que os outros saibam dos ganhos consagrados na nova Constituição, a sra. Asiyo enumerou como pilares mais fortes a nova fórmula para a distribuição de recursos, o fundo de compensação para os marginalizados, bem, como os ganhos das mulheres conferidos pela Constituição, que levam em conta as necessidades dos mais carenciados e dos que enfrentam dificuldades.

Os jovens como cidadãos responsáveis

O seu apelo final foi no sentido dos jovens prestarem maior atenção e exercerem o seu raciocínio durante as eleições. Incentivou-os a não se deixarem levar pela onda política, mas sim assegurarem-se de que votam a favor de pessoas de integridade e que têm a agenda dos jovens no coração. Candidatos capazes de escutar e que estão dispostos a abordar os problemas que os jovens estão a enfrentar neste Século XXI, tais como a falta de emprego. A mesma mensagem foi ecoada por Hannah Chira da ACORD, que apelou aos jovens no sentido de se envolverem na política pacífica e não violenta. Incentivou-os a votar em líderes de integridade que podem ajudá-los a recuperar e a gerar os seus próprios meios de subsistência como jovens.

As mulheres que aspiram a cargos políticos estão a planificar eventos semelhantes em Migori e vilas e aldeias vizinhas.